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Inovação
Jogando o jogo certo: o da complexidade

Conheço uma escola renomada, com mais de meio século de história, que está passando por uma série de dificuldades. Perdeu grande parte de seus alunos nos últimos anos, viu a concorrência aumentar drasticamente, precisou demitir muitas pessoas e, por consequência, teve sua verba de marketing reduzida — o que vem contribuindo ainda mais para esse ciclo de queda ininterrupta.

A questão que os executivos dessa escola vêm se colocando ao longo do tempo, sem conseguir reagir de maneira eficaz, é: como reverter essa situação e voltar a crescer?

No entanto, a grande dificuldade que esses executivos estão realmente encontrando é a de aprender a jogar em uma nova arena: a dos sistemas complexos. E por que está sendo tão difícil? Porque eles estão intelectualmente desarmados, preparados apenas para atuar em sistemas simples, jogando um jogo que ficou no passado.

Para deixar clara a diferença entre os sistemas, seguem exemplos:

  • Sistema Simples – existe uma relação causa-efeito totalmente previsível, com soluções únicas e óbvias para determinados problemas. Exemplo: o relógio é um sistema simples; se uma peça quebra, é facilmente substituída, e também sabemos que, em algum momento, a bateria vai acabar.
  • Sistema Complexo – existem múltiplas relações paralelas de causa-efeito, com comportamentos totalmente inesperados. Exemplo: o lançamento de um novo produto e sua aceitação pelo público.

Como podem perceber, empresas que ainda estão inseridas em sistemas simples são tão raras que, enquanto escrevo este artigo, não me vem nenhuma à cabeça.

O problema, a meu ver, é que, em vez de os executivos adotarem um mindset de crescimento e se abrirem para um novo modo de operar e de desenhar suas estratégias de marketing e vendas, uma boa parte ainda insiste em:

  • buscar incessantemente simplificar o que não pode ser simplificado;
  • construir artificialmente relações de causa-efeito erradas;
  • não adotar um pensamento sistêmico, focando apenas em partes em vez do todo;
  • reforçar modelos mentais antigos que sustentam estruturas fadadas ao fracasso.

Antes de mais nada, essas pessoas precisam olhar para o sistema complexo com aceitação e entender que estão inseridas em uma arena cuja principal característica é a imprevisibilidade. Olhar para essa variável como a nova regra do jogo é difícil porque faz parte da nossa essência (e do nosso cérebro primitivo) buscar estabilidade e segurança constantes.

Há uma frase brilhante de Kahneman sobre isso:

“Uma apreciação imparcial da incerteza é o alicerce da racionalidade — mas não é isso que as empresas e as pessoas desejam.”

Em resumo, se você pretende abraçar a imprevisibilidade do sistema complexo, esteja pronto para:

  • mais complexidade → mais indeterminação → mais dificuldade para dar sentido → mais dificuldade para agir;
  • olhar para o todo e entender que ele é maior que a soma das partes, ou seja, não é possível compreender o sistema pela simples análise de seus elementos;
  • acrescentar novos modelos mentais aos já existentes — só assim se alcançarão mudanças permanentes e duradouras;
  • ser flexível e montar estruturas organizacionais capazes de lidar com a imprevisibilidade.

Boa sorte!

Artigo inspirado nas aulas do brilhante professor Marcos Telles.

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